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Viagem segura não significa ausência de risco, alertam especialistas em saúde
Este artigo aborda estratégias e recomendações de especialistas para viajar de forma segura, minimizando riscos de infecção por meio de higiene adequada, cuidados com alimentos e conscientização, promovendo viagens mais tranquilas e saudáveis.
Apesar de viagens serem momentos de lazer e descobertas, elas também apresentam riscos de infecção que precisam ser considerados pelos viajantes. Técnicas de higiene simples, cuidados com alimentos e uso consciente de produtos como antissépticos podem ajudar a minimizar esses riscos, mas é fundamental entender o que realmente funciona. Essas recomendações vêm de especialistas renomados, como o professor de doenças infecciosas David Denning e a professora de microbiologia Lora Piddock.
No entanto, organizações internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçam que a prevenção de doenças durante deslocamentos depende de uma combinação de medidas, como higiene das mãos, cautela com alimentos e uso de equipamentos de proteção, além de estar atento às fontes confiáveis de alimentação e hospedagem.
Qual a importância de uma higiene eficaz na viagem
Muitos viajantes acreditam que uma limpeza profunda das superfícies ao seu redor garante proteção contra infecções. Segundo o professor David Denning, a real chance de transmissão de micro-organismos depende da quantidade e sobrevivência desses agentes fora do corpo humano. Em ambientes com boas condições de higiene, o risco de contágio por vírus como norovírus ou rotavírus é baixo, já que eles não permanecem por muito tempo nas superfícies. Assim, a desinfecção de mesas ou assentos é uma medida útil, porém não uma garantia absoluta de proteção.
Como evitar contaminação em aviões e trens
Caso haja alguém tossindo ou espirrando próximo durante um voo ou viagem de trem, não há motivo para pânico imediato. Muitas vezes, esses sintomas são de reações alérgicas ou problemas crônicos. No entanto, se o indivíduo apresenta sinais claros de gripe ou resfriado, o ideal é escolher um assento mais distante dele. Como a principal forma de transmissão de muitas doenças respiratórias ocorre por gotículas de saliva lançadas ao tossir ou falar, o uso de máscaras e roupas de proteção fornece pouca eficiência. Segundo especialistas, a lavagem frequente das mãos com água e sabão é uma das melhores formas de proteção, ou então a utilização de gel desinfetante quando não houver acesso à água.
A eficácia dos antissépticos a base de álcool
Muitos utilizam gel antisséptico para desinfecção diária. Professora Lora Piddock explica que esses produtos eliminam até 99,9% dos vírus presentes na pele, porém sua eficácia depende de uma aplicação correta. É importante cobrir todas as áreas dos dedos e interstícios entre eles. Ainda assim, o método mais recomendado continua sendo a higiene das mãos com água e sabão, por ser mais abrangente.
Riscos de intoxicação alimentar durante viagens
A origem de muitos quadros de intoxicação alimentar é a má higiene na manipulação de alimentos, consumo de gelo contaminado, água de baixa qualidade ou alimentos de procedência duvidosa. Para diminuir esses riscos, os especialistas orientam a preferência por alimentos bem cozidos em excesso, evitando saladas, frutas não descascadas e comidas de procedência incerta. Além disso, recomenda-se analisar a reputação do estabelecimento onde for consumir, optando sempre por locais confiáveis. Denning alerta para a necessidade de evitar alimentos crus, especialmente carne não cozida ou de origem duvidosa, que podem estar contaminados por bactérias como a Escherichia coli.
Devo levar antibióticos na bagagem de viagem
Outra dúvida comum é quanto ao uso de antibióticos como medida preventiva. De acordo com os especialistas, essa prática é perigosa e deve ser feita somente sob orientação médica. Denning enfatiza que medicamentos desse tipo só devem ser usados em caso de quadros graves de diarreia ou deterioração do estado de saúde, após avaliação médica. Na maioria das vezes, o tratamento adequado inclui reposição de eletrólitos, repouso e cuidados de higiene.
Como viajar tranquilo sem obsessão por micro-organismos
Para quem sente ansiedade relacionada a micro-organismos, há boas notícias. Profissionais de saúde recomendam que, além de seguir orientações de higiene e vacinação, os viajantes não devem se preocupar excessivamente com os riscos. O mais importante é estar preparado, manter a calma e aplicar as medidas de prevenção de forma consciente. Assim, é possível aproveitar a viagem e ainda preservar a saúde, sem perder o prazer de explorar o mundo.
